COMUNIDADE CRISTÃ

maio 15, 2008

DESCOBRINDO TRIBUNAIS [COM BASE EM MATEUS 7:1-5]

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 11:14 pm

 

Há pessoas que são assim expansivas e alegres, gostam de contar anedotas e fazer piadas, e isso com uma graça e um brilhantismo que podemos dizer que são palhaças, no melhor sentido da palavra, aonde chegam armam um circo. Há outras que têm o dom do ensino, são pedagogas por natureza. Sabem comunicar aquilo que conhecem com grande eficiência, aonde chegam há quem se sente ao seu redor para ouvir e receber o seu ensino. Elas vivem armando escolas. Há, ainda, aqueles cuja presença impõe uma ordem, elas motivam as pessoas a ações, a atos de coragem e heroísmo. É impressionante como são organizadas e organizadoras. Aonde chegam armam quartéis.

 

Mas hoje eu quero lhes falar de um quarto grupo de pessoas. O palco destas não é o picadeiro, seu material de trabalho não é a lousa, nem seguem ditando a marcha daqueles que estão ao seu redor. Hoje eu quero lhes falar sobre os que armam tribunais. Sobre aqueles que vivem colocando seus semelhantes, amigos e parentes, e não raro a si mesmos, diante de cortes de justiça.

 

Todo mundo para eles é um réu em potencial; eles não têm relacionamentos, têm processos; estão o tempo todo formulando ou recebendo queixas, denúncias…construindo casos; não dão opiniões, emitem sentenças. Se não são juízes por ofício, o são por vício. Faltam magistrados no Judiciário, mas eles abundam por toda parte, em casa, no trabalho, na escola e até mesmo na igreja de Cristo Jesus.

 

O texto que propomos no título faz parte do Sermão da Montanha e é um imperativo no sentido de que não sejamos juízes de nossos irmãos. João já nos disse que Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo. 3:17). E o mesmo Jesus, que não encarnou na condição de juiz, nos diz que nós não devemos julgar aos nossos semelhantes.

 

E por que não devemos julgar os nossos irmãos?

 

1.       Porque Deus não nos confiou esta autoridade. Assim, quem julga o seu irmão está usurpando um poder e um direito que o Pai reservou exclusivamente para si na presente dispensação;

 

2.       Porque como irmãos somos suspeitos para exercer juízo sobre eles. Nós somos sempre família do réu, e o nosso lugar não é a cátedra de juiz, mas o banco humilhante e frio, especialmente reservado para os parentes de quem está sendo julgado;

  

3.       Porque também somos culpados de nossos próprios pecados. Como pecadores, temos consciência que chegará o momento em que seremos julgados pelo bem ou mal que tivermos praticado. Somos réus no tribunal da graça e da misericórdia de Deus;

 

4.       Porque o fato de sermos igualmente pecadores, impede que vejamos os pecados de nossos irmãos de forma adequada, para que possamos fazer qualquer juízo válido e competente;

 

5.       Porque quando julgamos alimentamos o monstro das relações judicantes, que findarão apor vitimar a nós mesmos.

 

Alguns podem dizer que este tipo de postura estimula a impunidade no meio da igreja e finda por favorecer um tipo daninho de permissividade. Eu creio que não!

 

É minha função dizer que o adultério é pecado. E o adúltero? Entreguemo-lo ao Senhor. É minha obrigação ensinar que o homossexualismo é pecado. E o homossexual? Entreguemo-lo a Deus. É minha obrigação afirmar que a mentira é pecado. E o mentiroso? Entreguemo-lo a Deus.

 

O que torna tão difícil fazer isso, não é o zelo pela santidade e pela pureza do corpo de Cristo, é a nossa ânsia, quase irresistível, pelo exercício judicante em desfavor de nosso semelhante.

 

O que fazer para se livrar do hábito de armar tribunais?

 

1.       Reconheça que o seu pecado é maior do que o de seu irmão (argueiro e a trave). Quanto mais nós nos conhecemos, mais nos damos conta de nossas fraquezas e pecaminosidade. Eu não conheço a ninguém tão bem como eu conheço a mim mesmo;

 

2.       Dedique-se ao seu processo de santificação e não àquele que está sendo desenvolvido pelo seu irmão (tira primeiro a trave de teu olho). Cada um tem o seu próprio desafio de construção de um mundo interior mais puro e harmônico, não há tempo para sermos operários deste projeto pessoal e, simultaneamente, fiscais dos alheios. Quando nos dedicamos a esta tarefa, deixamos de lado aquela;

 

3.       Aconselhe seu irmão sobre o que você entende ser certo ou errado, à luz da Palavra de Deus. Se necessário faça isso com uma ou duas pessoas amigas, que lhe ajudem nesta tarefa, e depois, caso ele não lhes dê ouvidos, entregue-o ao Senhor (Mat. 18:15-17);

 

4.       Renuncie (peça demissão em caráter irrevogável) da função de juiz de seu irmão e peça perdão a Deus por durante tanto tempo ter ocupado indevidamente uma função que é só dEle. Quando no futuro se sentir tentado a voltar a julgar alguém, ou lhe pedirem para fazê-lo, diga: “Desculpe, eu não posso. Estou aposentado depois de muitos anos de serviço” :-)

 

O difícil não é conhecer a Jesus, é amá-lo; o difícil não é entender a sua mensagem é acatá-la; o difícil não é saber qual é a sua vontade, mas obedecê-la. É por isso que Jesus disse que “aqueles que ouvem estas minhas palavras e as pratica é semelhante ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha…” (Mat. 7:

 

Reflita sobre as seguintes questões:

Ao julgar eu sou mais severo com o meu próximo ou comigo mesmo? Que benefício traz ao mundo estes constantes julgamentos a que me habituei? Que valor tem o juízo de quem não tem legitimidade para julgar?

 

Parar de julgar é como fazer uma dieta, não adianta nós nos comprometermos que não nos excederemos mais, que a partir de “amanhã” será diferente. A única coisa que resolve mesmo é parar agora, simplesmente isso.

 

Com carinho,

 

Martorelli Dantas

4 Comentários »

  1. Taí…
    Reconheço que esse texto tem muito a ver comigo, pois eu resolvi pedir exoneração urgente de uma função que eu nem sabia que não era minha!
    De fato, confesso que durante muito tempo eu me vi incomodada particularmente em relação a pessoas muito próximas -diga-se de passagem, cultas e bem informadas, e isso era “o que mais pegava” – que fazem parte de uma denominação fundamentalista.
    E aí… não deu outra: de conselheira a juíza foi um passo!
    Pronto, parei:)
    Com a ajuda de Deus!
    R.

    Comentário por Regina Farias — maio 17, 2008 @ 10:51 am

  2. Valeu,gostei muito de sua colocaçâo,continue assim ajudando outras pessoas.Sua colocaçâo vai me ajudar muito no estudo de celula na proxima terça.DEUS os abençôe. amem

    Comentário por graciema teles — agosto 24, 2008 @ 6:54 pm

  3. Difícil tarefa! No entanto,sou grata pela oportunidade de meditar a esse respeito. Buscar e acatar a vontade de Deus, tem sido para mim um desafio e ao mesmo tempo privilégio.
    Penso que trazer com propriedade os ensinamentos é dom, muito amor e empenho.Portanto, peço a Deus que esses e outros”ingredientes” sejam fartos na sua vida para abençoar muita gente.

    Comentário por Tercia B. de Santa Clara — abril 6, 2009 @ 12:45 pm

  4. Querido professor Martorelli, sempre com uma iluminação doce e feliz. Continuo orando por você. Quanto ao texto, outros já opiniram bem mehor do que eu poderia fazer.Lindo, urgente,necessário! Um abraço.

    Comentário por EDMILSON MARINHO — julho 10, 2009 @ 5:03 pm


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