COMUNIDADE CRISTÃ

fevereiro 24, 2008

MINHA VIDA É OBRA DE TAPEÇARIA

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 2:54 am

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Foi com estas palavras que Stênio Marcius, em uma belíssima canção, definiu a sua própria caminhada. Disse que Deus é o “tapeceiro” e que faz o seu trabalho em nossas vidas de modo incansável e paciente. Ele sabe o fim desde o começo, trança voltas, mil desvios sem nunca perder o fio. Se você olha do avesso nem imagina o desfecho. No fim das contas tudo se explica, tudo se encaixa, tudo coopera para o nosso bem. Somos obra de arte para honra e glória do Tapeceiro.

Uma das principais causas de sofrimento dos seres humanos de nossos dias é esta mania de querer compreender todas as coisas que ocorrem em suas vidas. Desejam que todos os acontecimentos e eventos sejam auto-explicáveis e que obedeçam a uma lógica clara e compreensível. Mas quem disse que a vida tem sentido? Quem disse que os acontecimentos da vida são razoáveis? Eu acredito que para que as nossas vidas ganhem sentido é preciso que nós alcancemos uma razão que não está dada nela, que escapa à análise filosófica e jamais será compreendida por estruturas religiosas.

Jesus nos ensinou mais de uma vez, que o sentido da vida é o amor. A essência de Deus é o amor. Tudo foi criado por Deus com amor e através do amor. Sem amor nada do que foi feito se fez. O único modo de nos relacionarmos com o Senhor de todas as coisas é através do amor. A esperança de sobrevivência e longevidade de nosso planeta está em que os seres humanos aprendam a se amar de verdade e a tratar a grande “nave-mãe” que é o nosso planeta e as suas criaturas com amor.

Sem dúvida a maior descoberta que eu fiz em minha vida foi que Deus me ama apesar de eu ser quem eu sou. Como o faz minha mãe que a despeito de meus defeitos e imperfeições não consegue me ver senão como o seu “filho amado”. Assim como eu serei para sempre refém do amor que sinto por meus filhos e nada poderá desconstruir este amor. Ah, que grande paz e consolo encheria o coração de todos se soubessem que são amados por Deus, que Ele não é nem rei nem juiz, como querem algumas tradições religiosas, mas Pai Eternamente Amoroso. O seu nome é EU SOU, disse Ele a Moisés e eu completaria que o nome de Deus é EU SOU AMOR. Nós podemos sentir e fazer amor, mas só o Senhor é amor.

As pessoas deveriam se esforçar para compreender e crer nisso. Resultaria este esforço muito mais produtivo e útil que o de construir explicações especulativas sobre o porquê de estarem vivendo o que estão vivendo ou como dar plausibilidade aos fatos que não se encaixam nas expectativas de sentido que desenvolveram em sua existência. Não quero dizer com isso que as nossas vidas são um completo absurdo e são regidas pelo caos. O que venho querendo dizer é que o sentido de nossas vidas está em Deus, só nEle e para Ele tudo tem que ter razão. Só Ele vê o todo de sua obra desde os primeiros fios e nós começaram a entretecer aquilo que continuamente estamos vindo a ser e a tudo encaminha com convém a Ele, que faz todas as coisas convergirem para o nosso crescimento.

É preciso ter paciência e fé para vermos o desenho do que seremos ir ganhando formas nas habilidosas mãos dAquele que cuida de nós. Nem as nossas maiores burradas e cabeçadas nesta vida fugiram ao seu controle. Nem o meu mais intempestivo ato o tirou de seu plano original. Ele faz arte e arte não tem que ser objetiva. Está construindo o melhor caminho, não o mais fácil e mais plano. Em nossa existência plano mesmo só o que Ele guarda consigo. O que fazemos são apenas esboços de desejos, mas, como diz o provérbio: “o coração do homem pode fazer planos, contudo, a resposta certa vem dos lábios do Senhor”.

Você já viu uma lagarta construindo o seu casulo? Parece algo triste e mórbido. É como se estivesse tecendo o seu próprio túmulo e depois de concluí-lo vem o silêncio, a imobilidade. Dias se passam e tudo nos faz pensar que ela está acabada, que nunca mais sairá de lá e subirá nos caules novamente e comerá folhinhas verdes e viçosas… É verdade! Ela nunca mais fará isso, mas não é porque morreu, mas porque ressuscitou nova e sublime. E como isso pode acontecer? O Tapeceiro a transformou durante o seu deserto e a converteu no mais deslumbrante ser que habita os jardins da existência.
Não tente compreender nada, só prepare-se para voar. Paz e Bem!

Com carinho,

Martorelli Dantas
martorelli@martorelli.org

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AGENDA 2008

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 2:38 am

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MINISTÉRIOS DA COMUNIDADE CRISTÃ

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 2:15 am

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O QUE É UMA COMUNIDADE CRISTÃ?

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 1:53 am

É só UMA comunidade de cristãos reunidos para cultuar ao Deus Vivo
Que têm suas marcas essenciais na inclusividade e no amor ao próximo
Que confessam a Jesus como caminho de salvação e redenção de todos os homens
Que encontram no Evangelho de Jesus um convite para a vida e para a fraternidade
Que reconhecem os terríveis efeitos dos pecados do desamor e da indiferença
Que afirmam como mandamento supremo o amor a Deus, a si mesmo e ao próximo
Que abrem mão de toda forma de julgamento dos semelhantes
Que buscam um relacionamento fraterno com líderes e outras comunidades cristãs
Que reconhecem e celebram os sacramentos do batismo e da eucaristia
Que são dirigidos de modo conciliar
Nela todos são leigos e sacerdotes, simultaneamente
Nela os dons do Espírito Santo são expressos com ordem e decência

O QUE NÃO É UMA COMUNIDADE CRISTÃ?

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 1:52 am
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Não é uma denominação nem está ligada a qualquer grupo denominacional
Não pretende plantar igrejas nem se espalhar pelo mundo
Não busca atrair para si cristãos de outras comunidades
Não tem nem buscará qualquer vinculação política
Não reconhece qualquer distinção qualitativa entre os seres humanos
Não busca a aquisição ou acúmulo de bens nem patrimônio
Não vê sentido em nada que não esteja sendo usado para servir ao próximo
Não adora nem cultua senão ao Deus Pai, Filho e Espírito Santo
Não nega a participação dos sacramentos a quem quer que seja
Não reconhece o caráter revelacional das culturas humanas
Nela os ministros são canais de graça, não autoridades religiosas
Nela não se reconhecem barreiras denominacionais, mas a cooperação dos cristãos

EM BUSCA DA MORENIDADE PERDIDA

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 1:43 am

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Algumas pessoas me perguntaram o que eu queria mesmo dizer com a expressão “uma igreja morena”. Por igreja morena eu pretendo definir uma comunidade cujos traços essenciais são não apenas brasileiros, nordestinos e recifenses, mas também litorâneos e contemporâneos. Um grupo de irmãos que aceitou o seu tempo e espaço, que não está vinculado a algum momento do passado, tendo eleito um período da história da humanidade como o mais feliz, mais fecundo e mais apropriado para se viver; fazendo agora todo esforço para se reportar moral, teológica, ideológica e esteticamente à este período.

Quero que sejamos gente daqui e de agora, mas, simultaneamente, pessoas que vivenciam o mistério da contínua encarnação do Verbo. Se a igreja é o “corpo de Cristo”, este precisa estar em constante processo de humanização, de descer e fazer-se menino entre nós. Aqueles que seguem o Caminho precisam ser capazes de não apenas falar a língua de seus semelhantes, como também de imiscuir-se em sua cultura e, a partir dela, anunciar as boas novas de que Deus ama o pecador, que não está zangado com ele, que o quer bem perto de Si. Que o Senhor ama fazer festas e que não há uma só alma que se volte para Ele sem que isto produza nEle vontade de música, de danças e banquetes.
Não foi isso que nos ensinou a parábola do Filho Pródigo? Que Deus está à espera que seus filhos voltem, para que os músicos comecem a tocar e que as chamas do churrasco a crepitar? Quero viver esta festa, quero dançar no baile dos arrependidos, um baile sem-máscaras e, por isso mesmo, absolutamente desconcertante. Antigamente as pessoas viviam sem-máscaras e, de vez em quando, colocavam uma para um momento especial. Hoje vivemos de máscaras (inclusive eu) e as tiramos raramente em ocasiões singulares. A festa do amor de Deus tem o requinte, o glamour e a sofisticação de um baile sem-máscaras. Evento raro em nossos dias.

Se você leu estas últimas palavras e ficou pensando: Martorelli está se referindo a fulana e a beltrano… Então não entendeu nada do que é ser uma igreja morena. Nossa morenidade se expressa em nossa preocupação com o tempo presente, o lugar presente e as pessoas presentes. Se estamos nos reportando ao passado e aos indivíduos que no passado fizeram parte de nossas vidas é porque somos gente de ontem e este tipo de pessoa não é morena. Conheço homens e mulheres em nossa Comunidade de pele bem clarinha, de olhos e cabelos alvos, mas com uma alma morena. Identifico no mundo seres ‘bem-passados’, como eu, mas cujos sentimentos ainda não se tornaram morenos.

Um dia todos nós fomos morenos, mas com o tempo nos esquecemos disso. Foi uma época em que a classe social, a cultura, o poder político de alguém não importava nada. O que interessava mesmo é que tinha aparecido mais uma pessoa para brincar de esconde-esconde ou pular corda. Um tempo em que a nossa memória era tão curta como a de um menino de cinco anos que diz pro amiguinho: “nunca mais… nunca mais em toda a minha vida eu vou brincar com você”. E que cumpre a promessa durante os três próximos minutos, até que uma bola corra na campina ou que a tia chama para comer biscoito com suco de laranja. Aí é só abraço e amizade, coisas morenas.

Quando Deus quis que o seu Filho viesse ao mundo, escolheu uma moça, virgem de alma, corpo e coração, uma menina morena. Depois que ela deu à luz ao seu primogênito muitas coisas aconteceram. Seu coração amoroso e simples foi ferido pelos golpes da injustiça e da ingratidão. Seu rosto doce e meigo foi sulcado pelas torrentes de lágrimas que de seus olhos brotaram. Sua voz, antes sempre embalada por cantigas de roda, aprenderam a exprimir o inexprimível em gemidos solidários àquele que de si saíra, mas de si nunca partira (nem sei porque chamam ‘parto’ o nascimento de uma criança, elas nunca partem. Deve ser porque se partem os pais e começam a viver não mais apenas suas vidas, mas tantas quantas deles partiram).

Maria-mulher é em tudo diferente da Maria-menina, só uma coisa nunca se perdeu, foi sempre morena. Vejo-a morena no cântico que compõe para exaltar a Deus pelo anúncio que recebera de que seria mãe do Salvador; é morena no templo ouvindo as profecias de Ana e Simeão; em sua solicitude e disponibilidade para que a festa não acabe por falta de vinho nas bodas de Caná da Galiléia, mas vejo-a assim, sobretudo, ao pé da cruz… sem desespero, sem ansiedade, sem ódio ou cólera… só dor e silêncio, como se soubesse o que sabiam os amigos de Jó, que quando a dor é muito grande não importam palavras, mas é indispensável e impossível de avaliar a importância de uma presença amiga.
Domingo, quando os vi neste auditório do Hospital de Aeronáutica, vocês que aqui não precisavam estar, que abriram mão do conforto e da segurança para me acompanhar nesta insólita aventura que é plantar não apenas uma nova igreja, mas um jeito novo de ser igreja, me dei conta que vocês são morenos; de que se eu quiser escolher modelos de morenidade basta tomar aleatoriamente a mão de qualquer um que caminha conosco e colocá-lo de pé; que quem mais precisa aprender aqui sou eu. Eu que ainda não sou moreno, mas que estou pegando sol pra caramba! Muito obrigado!

Sou grato ao Senhor pela semente que nos deu. Pelo Menino-Moreno que foi adorado pelos magos, pastores e anjos, seres em tudo diferentes, mas tão iguais quando se prostram diante dAquele que do pouco faz muito, que do enfermo faz são, que do só faz guia, que da água faz vinho, que do pão faz corpo, que da dor faz esperança, que do começo faz vitória. Glórias, honras e louvores unicamente ao Seu nome que é santo, puro e perfeito. Que sendo Deus, não julgou ser humilhante demais, por amor, fazer-se homem, posto que nada é humilhante demais se é feito por amor. Ele, morrendo moreno, nos fez filhos de Deus. Aleluia!!!
Com carinho,

Martorelli Dantas
martorelli@martorelli.org

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