COMUNIDADE CRISTÃ

março 31, 2008

CASAMENTO – FÁBIO E ERICKA

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Duante o culto realizado na última quinta-feira (27), no Imperial Suítes, foi celebrado o casamento de Fábio Kabbaz e Ericka Correia. Um momento de felicidade que estava estampado no semblante dos noivos.

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março 29, 2008

TEMPUS FUGIT: A ARTE DE SABER VIVER

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 3:28 pm

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Foto: IaMiky

Em muitas casas, no passado, havia um móvel cuja função era ser um guardião do tempo, refiro-me aos relógios de carrilhão, capazes de marcar as horas com seu canto de passagem e até mesmo os minutos com um tic-tac tão sonoro que se podia ouvir durante todo o dia, particularmente no silêncio da noite. Um antigo mestre, Rubem Alves, costuma dizer que estes relógios, bem como todos os demais, falam conosco, dizem: tempus fugit, o tempo foge, escoa, escapa por entre os nossos dedos. Quanto mais eu vivo, mais me convenço de que isto é verdade.

Posso dividir a minha vida em duas fases: a primeira, em que as pessoas me diziam: “você é novo demais pra isso…” e a segunda, em que elas me dizem: “você não vê que já está velho demais pra isso…”. Aí não há como evitar que bata uma angústia. Será que nunca estamos prontos para os desafios da vida? Será que haverá sempre uma inadequação entre a maturidade/capacidade que as pessoas percebem em nós e aquilo que a vida demanda?

Eu, de minha parte, jamais liguei para estes “alertas”. Aprendi que eu estou no ponto para viver o dia de hoje! Fiz sempre o que as pessoas não queriam que eu fizesse por ser novo demais e almejo, um dia, me tornar um velho que escandalize até mesmo os meus melhores amigos, fazendo o que não se faz em “certas idades”. O meu compromisso é com a vida e não com a conveniência; com a verdade que se coloca diante dos meus olhos e não com o consenso; com o amor ao próximo e não com o aplauso do próximo. Não quero ser coerente, eu não posso ser.

Eu nasci do ventre de minha mãe sozinho e um dia partirei para o ventre da mãe-terra igualmente só, portanto levo a vida com os outros e não para os outros. Quero expressar respeito e carinho, mas não submissão e passividade. Não exijo que ninguém ande comigo, nem que concorde com o meu modo de caminhar. Peço apenas que me respeitem e que me compreendam como um homem fazendo escolhas, as suas escolhas, que é o único modo de se viver.

O Senhor me ensinou que a melhor maneira de existir é viver plenamente este fugidio momento que se chama presente, o dia de hoje. O presente é um presente de um Deus presente. Eu preciso torná-lo único, especial, memorável. Para isso, faz-se necessário que eu me desvencilhe do passado. Quero olhar para trás sem mágoas e ressentimentos. Distribuo prodigamente o perdão, a minha “luta não é contra a carne e contra o sangue”, não é contra as pessoas, mas contra idéias, posturas, atitudes e estas foram já não são. Não há porque lutar hoje contra o que só existiu ontem.

Também não sou um cruzado, empreendendo “guerras santas”. Deus cuida de si e do que é seu. Se a terra é santa, o é porque Ele a guarda, não eu. A única terra sacrossanta que me foi confiada é o meu próprio coração. Que nele não habitem os ídolos da vaidade, da arrogância, da auto-suficiência; que nele não se erijam altares para a ilusão das riquezas, à opulência mentirosa dos títulos e patentes, à maligna petulância piegas que despreza o abraço e o sorriso.

Até hoje nunca vi um soldado-raso prestando continência pra túmulo de general. Os mais belos, os mais sábios, os mais fortes, os mais ricos, os mais virtuosos entre nós, cedo ou tarde, vão virar refeição de tapuru. Mas também não me preocupo com eles. Que esperem muito por mim, porque hoje estou ocupadíssimo vivendo. Quero amar minha mulher debaixo dos nossos lençóis, viajar com meu filho, dançar uma valsa com minha filha, sorrir muito de estórias idiotas com meus amigos, chorar lendo um poema de Drummond, rever velhos filmes, ouvir Chico e quedar-me silencioso ante a beleza inexprimível de um crepúsculo no sertão. Isto é vida, o resto são coisas que fazemos enquanto estas não vêm.

Também aprendi a arte de travestir de prazer tudo que se chama obrigação. Quando os professores exigem que leia pilhas de textos sobre assuntos desinteressantes. Eu brinco com os livros, rio deles, chamo-os para passear comigo. Às vezes penso que sou capaz de me divertir lendo até lista telefônica. Nada é impossível pra quem tomou a decisão de rir, sobretudo de si mesmo e de suas inúteis e efêmeras construções. Quando estou preparando um sermão ou escrevendo um texto como este, não penso nas transformações que eles podem promover na vida das pessoas. Sinto a alegria terna e simples de fazer, de pré-parar, como uma mulher que sente tanto prazer em se vestir para o amor como em amar propriamente.

Também aprendi a fazer do futuro o meu melhor amigo. Quando penso sobre ele só vejo coisas boas. Não antevejo nem a ruína nem a dor. Se estas me sobrevierem me tomarão de surpresa. Quero que seja assim. Não vou, como já vi muitos, me preparar para o que não quero viver, pois fazê-lo seria um modo de lhe invocar. Ansiedade não é pensar no futuro, é sofrer com o futuro, mas o meu futuro não me faz sofrer, posto que é meu amigo. No futuro eu sou sábio e magro, amado e amante, mestre e aprendiz. Não sou rico, porque ser rico dá muito trabalho.

No futuro eu morro, que morrer não é ruim, é só uma viagem que nos “convidam” a fazer antes da hora, e eu embarco em sua nau cheio de curiosidade. Deixo pra trás meus amigos e inimigos chorando, estes por nunca terem me pegado, aqueles por nunca terem me perdido.

Com carinho,

Martorelli Dantas

martorelli@martorelli.org

Publicado originalmente no boletim da Paróquia da Reconciliação, no longínquo ano de 2005. Naquela época eu já era quem sou, mas nem eu nem muitas das pessoas que estavam ao meu lado sabíamos.

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 12:04 am

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Comunidade Cristã – Antes da realização do culto

Quinta-feira 

20/03/08

março 18, 2008

PÁSCOA: MEMÓRIAS DA ESCRAVIDÃO E O PREÇO DA LIBERDADE

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 9:28 pm

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Foto: Brian Petersen

 

Esta é sem dúvida a festa cristã mais importante do calendário litúrgico, mas poucos dão a ela a relevância que a mesma reclama. No Brasil, particularmente no Nordeste, dois elementos se tornaram dominantes na tarefa de simbolizar a Páscoa: o chocolate e os espetáculos. Eu não quero diminuir o valor e a importância de nenhum dos dois, principalmente do primeiro, mas obviamente que ambos são periféricos e nem sequer tangenciam os grandes desafios que esta época do ano evoca.

 

O chocolate não o faz, porque é uma tradição importada da Europa, que remonta ao hábito nórdico de dar ovos decorados aos amigos neste período do ano, e acaba falando mais ao estômago que à alma. Já os espetáculos não o fazem, porque impressionam mais pela performance dos atores que naquele momento encenam um drama, que poderia ser de Shakespeare ou de um outro grande escritor, do que pelo conteúdo das falas e vidas envolvidas.

 

Para compreender o sentido da Páscoa, precisamos nos reportar ao livro de Êxodo, ao instante mesmo em que ela foi instituída por Deus, através de Moisés (cap. 12). Primeiramente, a Páscoa é uma ceia, algo que não se deve fazer sozinho, é um ato da coletividade, sobretudo da família (é uma festa para ser celebrada entre os seus). Em segundo lugar, ela é um marco entre o estado de escravidão e a liberdade que se anuncia próxima. Através dela nos recordamos do amargor dos dias que passamos sob os rigores da exploração, dos dissabores de uma vida sem sentido, a serviço dos interesses alheios, onde éramos vistos como máquina, números, contingente de manobra, de quando fomos feitos coisa (res). E em terceiro, lugar é preciso comer de pé e vestidos para partir, como se dizendo que somos seres “de partida”. Se há um signo supremo sobre o povo de Deus é este, eles estão “de partida”.

 

Mas o mais importante símbolo da Páscoa é o “sangue do cordeiro” que foi aspergido sobre os umbrais das portas das casas para que o anjo da morte não toque as famílias nelas abrigadas. A morte do cordeiro nos livra da morte dos nossos filhos. Seu sangue em nossas portas nos protege da visita da desgraça e da calamidade. O dia em que os cordeiros foram mortos no Egito foi o mesmo em que morreram muitos primogênitos. Filhos queridos, sacrificados para que um povo fosse libertado, para que um coração fosse quebrantado, para que uma profecia fosse cumprida. É um preço caro demais. Fosse eu juiz de tudo, inclusive da história, e me perguntassem se gostaria que a liberdade do povo de Israel se construísse deste modo, diria que não. Preferiria que continuássemos buscando soluções menos gravosas, esgotássemos a diplomacia…quem sabe mais piolhos?

 

O fato é que não importa o que eu penso. A liberdade tem um preço, e é caro. Imagine você em um restaurante de frutos de mar (eu amo frutos do mar). Mas este é um restaurante especial. Nele você não precisa fazer pedidos, os garçons trazem pratos prontos e lhe oferecem. São patolas de caranguejo à milanesa, aratu, camarões de todos os tipos. E você vai pedindo o que sentir vontade e na quantidade que lhe convier. Só é preciso não esquecer de uma coisa, antes de sair você precisará pagar a conta. Este é um princípio universal de nossas vidas. Nós fazemos as escolhas, ma sempre pagamos o preço das decisões que tomamos. É justo que seja assim.

 

Esperamos que nesta Páscoa nós tenhamos tempo para lembrar da época em que éramos escravos e vivíamos perdidos, alheios à vida da Graça em Cristo Jesus e nos recordemos que para que pudéssemos ter a paz com Deus que agora temos foi preciso que o Filho Amado do Pai se entregasse em nosso lugar.

 

Feliz Páscoa!

 

Com carinho,

Martorelli Dantas

martorelli@martorelli.org

 

março 12, 2008

RAMOS SECOS

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 10:26 pm

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Imagem: Mallol

Domingo de Ramos. Recordamos-nos da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém. Este acontecimento daria início à sua paixão, seu sofrimento final, que nos conduziu à salvação e à comunhão absoluta com o Pai. O dia é bastante eloqüente por pelo menos três motivos: lembra-nos que os homens souberam ver em Jesus sua realeza e majestade; que com alegria o Senhor acolheu os gritos de louvor e os gestos de celebração de seu reinado e que tão depressa o povo pode esquecer dos “hosanas” que cantaram e foram capazes, as mesmas bocas, de se encherem de um “crucifica-o! crucifica-o!”. Os ramos logo secaram! Sempre secam com rapidez porque para que possam ser usados para os acenos precisam ser desarraigados do tronco e das raízes. Ramos ao ar é certeza de breve desvanecimento.

Esta pode ser uma lição triste, mas não sem valor. Em momento nenhum Jesus depositou confiança nas palavras dos homens. Não o vemos nem decepcionado nem frustrado com a mudança tão brusca e radical que se verificou em menos de uma semana. Ele conhecia a natureza dos homens. Sabia da volubilidade das pessoas e que confiar em seus aplausos ou temer suas vaias é comportamento de quem não sabe a razão pela qual vive e exerce seu papel neste mundo. O grande desafio da sabedoria e da humildade que buscamos é ter uma vida guiada por valores e não pela contínua busca de aprovação popular. Foi Nietzsche quem disse que “vale a pena trocar o que não se pode reter por aquilo que não se pode perder”. Querendo com isso ensinar que a nossa identidade é algo que não podemos negociar e a aprovação popular é algo que não podemos manter indeterminadamente em nosso favor.

Contudo, não são poucas as pessoas que encontro em minha caminhada cujas vidas se pautam pela expectativa de faustos e festividades em sua honra. Não estou dizendo que ser celebrado e festejado não seja bom. É! O que estou afirmando é que tais acontecimentos não podem dirigir os nossos passos. O Mestre estava indo para Jerusalém para ser crucificado e morto em nosso favor. Em suma, buscava realizar a vontade do Pai. No meio desse caminho ele foi assaltado pelos gritos de louvor e de exaltação do povo, o que alegremente acolheu, mas não foi por este motivo ou à procura disso que encaminhou seus passos para a “cidade santa”.

Não há um único gesto em Jesus que seja feito à procura de prestígio ou fama. Estes vieram a despeito de todo seu esforço para manter-se oculto, no anonimato. Muitas vezes o vemos realizando milagres e pedindo às pessoas que eram agraciadas para que nada dissessem a ninguém (bem diferente do que vemos hoje acontecendo tanto na televisão como nos templos cristãos). Ele sabia que muita exibição na “mídia” só lhe traria invejas e perseguições. As pessoas que precisavam dele, estas ele as encontraria no caminho, não em grandes encontros laudatórios.

Eu ainda estou aprendendo a não me preocupar com a opinião pública. Recordo-me de um tempo em que servi a ela, como se serve a um deus. Fiz suas vontades e desejei que estivesse sempre do meu lado. Hoje eu compreendo que não deve ser esta a nossa direção. Fazer a vontade de Deus deve ser nosso Norte. Fazendo-a, diz-nos Jesus, todas as outras coisas nos serão acrescentadas. E tem sido assim em minha vida. Se as pessoas me parabenizam por esta ou aquela conquista, por este ou aquele ato, alegro-me e recebo de bom grado as congratulações, mas nenhum deles imagina que por eles ou para eles fiz o que fiz. Fui movido sempre por um senso de vocação. Se ouço críticas e reclamações a respeito desta ou daquela atitude que tomei, considero as razões apresentadas, questiono se não fui tolo ou imprudente em agir como agi. Se nada me acusa a consciência, simplesmente sigo o meu caminho, sem qualquer peso em minha alma. Nunca me esqueço que ramos secam muito rapidamente.

Domingo de Ramos! Levantemos nós também os nossos ramos e saudemos a Jesus que vem para nos libertar e salvar. Ele é a nossa alegria e glória. Fonte única de certeza e de segurança. Graças a Deus, ele continua aceitando nossos cânticos e hosanas. Não se importa por sermos tão volúveis e mutáveis. Não podemos oferecer-lhe mais nada além de nossos sinceros sentimentos neste exato momento e pedir que ele nos mantenha fiéis, posto que esta não é uma qualidade dos homens. Paz e Bem!

Com contentamento e alegria,

Martorelli Dantas

      martorelli@martorelli.org

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março 5, 2008

UM CORAÇÃO DE MULHER

Filed under: Uncategorized — comuncrista @ 5:59 pm

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No próximo dia 08 de março celebraremos o Dia Internacional da Mulher, a própria existência de uma comemoração assim já nos revela o fato de que ainda há muita discriminação em nosso meio. Não fosse isso verdade seria desnecessária tal festividade. Quem já ouviu falar do Dia Internacional do Homem? Homens e mulheres são realmente muito diferentes. Não apenas física e emocionalmente, mas também no que diz respeito às práticas espirituais. Desde que comecei o meu ministério pastoral, há vinte anos, foram sempre as mulheres que vi sustentando as igrejas, através de seu trabalho, dedicação, compreensão e amor. Nos cultos de oração das mais humildes congregações, lá estão elas aos pés do Senhor, clamando por seus esposos, por seus filhos… por seus líderes. As mulheres são o esteio da igreja.

Na Bíblia esta realidade também se revela. São inúmeras as mulheres em ambos os Testamentos que enaltecem o gênero pelo seu modo digno de viver e de agir. Mais que submissas, elas são verdadeiras auxiliadoras de seus maridos, quando não seu arrimo e consolação. Mulheres santas como Sara, esposa de Abraão; Ana, mãe de Samuel; Rute, companheira de Boaz. Marcadas pela profunda confiança em Deus e por uma completa devoção às suas famílias. Quando pensamos nos grandes personagens masculinos da Antiga Aliança, somos capazes de imaginá-los em guerras e conclaves, mas cada mulher nos aparece relacionada diretamente aos de sua casa. Ainda vai levar muito tempo para que os homens aprendam que as lutas que realmente importam são aquelas que precisamos vencer no seio de nosso lar.

O Novo Testamento não nos deixa sem nossas musas. Ele nos apresenta Isabel, mãe se João Batista; Priscila, esposa de Áquila e Lóide, avó de Timóteo. Mas entre todas as mulheres encontradas nas Sagradas Escrituras, nenhuma resplandece como a Virgem Maria. Gosto de pensar que Deus, na eternidade, ao planejar redimir o mundo de seu estado de perdição e de pecado, decidiu que o seu Filho não teria só dissabores nesta terra, não viveria só de ingratidão e de humilhação. Quis que ele conhecesse o bem mais sublime que em toda criação é possível vislumbrar: o colo de uma mulher: mundo de aconchego e de paz, fonte de segurança e conforto, recanto de amor e de alegria. Nada se compara a um colo de mulher.

Quando penso na rudeza e pobreza do presépio, creio que os nossos olhos se enganam. Não fora o Pai tão cheio de desconsideração para com seu Unigênito, que o enviou para nascer numa estrebaria e repousar numa manjedoura. Todos estes elementos, presentes na natividade, foram eclipsados pelo colo de Maria. Foi nele que Jesus foi recolhido ao nascer, seu primeiro berço foram os braços de sua mãe. Neste sentido, nem mais pobre nem mais rico que qualquer um de nós. Pois a fortuna com que abençoou o Redentor, Deus nos aquinhoou também. Sou grato pelo colo que me recebeu e me recebe, nunca indisponível a mim.

As mulheres, passados tantos milênios, realizadas tantas conquistas e avanços políticos, econômicos e sociais, continuam seres frágeis e doces. Quem dera permanecessem sempre assim. Sinto-me feliz por ver que já não resistem em nossos dias aquelas figuras estranhas que militavam no feminismo das décadas de 70 e 80, caricaturas de homens, copiavam nossos piores defeitos enquanto maquiavam, desnecessariamente, suas maiores virtudes. A feminista de hoje é feminina também. E há muito pelo que lutar e pelo que chorar. Lamentar pelos homens que continuam falando a linguagem bestial da violência, na ignorância de que proteger a mulher é cuidar do útero da existência, do olho d’água da vida humana.

Sei que um dia partirei desta estrada tão acidentada e desértica. Irei, conduzido por anjos, ao encontro dos santos do passado. Serei recebido na mansão celestial, toda adornada de ricas pedras e imarcescíveis flores. Ao chegar na morada dos espíritos, onde as antigas canções são entoadas por perfeitas vozes, farei, então, a mais surpreendente de todas as descobertas, sempre silenciosamente suspeitada, mas nunca, nem agora, confessada. Dar-me-ei conta, ao lado de meus irmãos, que há mais de mulher em Deus do que tiveram coragem de conjeturar os teólogos e proclamar os profetas. Posto que sei que serei abraçado e um melódico som de muitas águas pronunciará meu nome e me contará da saudade que sentia e o desejo ardente que premia de se encontrar comigo. Estará descoberto, então, que o céu, o verdadeiro céu, nem é um palácio nem um casarão, não é feito de nuvens nem de algodão, é só um coração… um coração de mulher.

Com carinho,

Martorelli Dantas
martorelli@martorelli.org

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